Opinião de especialistas
Quem trabalha dentro do sistema já sabe o que falta.
Profissionais que vivem a rotina do SUS e dos hospitais falam sobre o que muda quando o prontuário acompanha o paciente.
Os três defendem que isso vire regra em todo o país. É exatamente o caminho da proposta: começar pelo Paraná, o estado que pode provar que funciona, para depois servir de modelo ao Brasil.
Cada depoimento na íntegra, com a transcrição completa logo ao lado.
Rogério
Médico e professor universitárioGestão pública e privada
“Ter a informação centralizada do paciente não só é desejável: deveria ser compulsória.”
Transcrição
Bom, meu nome é Rogério, eu sou médico, sou professor universitário, trabalho com gestão pública e privada há alguns anos. A ideia de ter uma informação centralizada do paciente, ela não só é desejável, como ela, sinceramente, deveria ser compulsória. A gente sabe, principalmente no maior sistema de saúde que a gente tem, que é o SUS, a gente tem aí quase 150 milhões de pessoas usando o SUS exclusivamente como seu sistema de saúde.
Entremeado a isso, a gente tem o setor de saúde suplementar e os pacientes, as pessoas que procuram isso de forma totalmente privada. Não apenas para o SUS, né, você ter múltiplos prontuários, informações distribuídas, isso não é nem prático do ponto de vista clínico, porque informações desencontradas podem trazer prejuízo na análise de um quadro clínico.
No meu entendimento, o ideal seria a pessoa ter um códigozinho, um PIN que já contasse toda a história dela. Reservadas às questões de LGPD, se conseguirmos a unificação das informações, isso já é uma grande vantagem. Então centenas de vidas vão se beneficiar com relação a isso. No meu entendimento, isso não deveria nem ser uma opção
deveria ser compulsório, deveria ser uma lei, federal que obrigue a interoperabilidade entre as informações, entre as instituições, porque a gente tem, às vezes, sistemas de registro hospitalar que têm a mesma marca, mas eles não conversam nem de um hospital pro outro.
A pessoa faz exame em um laboratório e esse exame não conversa com os outros, com as outras instituições, mesmo fazendo parte, de um mesmo programa, por exemplo. Então eu vejo grande valor em uma iniciativa que propõe que a segurança do paciente e a sua jornada mais bem executada seja uma questão de âmbito federal.
Simone
Gerência de infraestrutura e finançasHospital de ensino 100% SUS
“Quando você deixa de repetir exames, consegue investir para que a sociedade tenha uma assistência melhor.”
Transcrição
Olá, meu nome é Simone, atuo há mais de 30 anos em uma instituição hospitalar de ensino 100% SUS. Atualmente, estou à frente de uma gerência que é responsável por toda a parte de infraestrutura, logística, recursos humanos e a parte financeira que dá sustentabilidade ao hospital. Por essa experiência, eu considero o projeto de lei do prontuário único extremamente importante para toda a sociedade
pois além de uma economia significativa, evitando repetições de exames, ele pode proporcionar para o paciente um acesso fácil, único e talvez uma ferramenta como o gov, onde o paciente vai ter acesso aos seus dados.
Para além disso, facilita para toda a equipe médica o acesso às suas informações, o acesso restrito, que é bem importante, respeitando toda a LGPD, que é a Lei de Proteção aos Dados dos Pacientes. Isso significa um avanço enorme pra toda a comunidade do país. Eu acho que além de tudo isso, nós precisamos ter um olhar que economia gera novos investimentos.
E quando você deixa de repetir exames, deixa de gastar em coisas que não há necessidade, você consegue investir para que a sociedade tenha uma assistência melhor, que a população possa ter acesso mais ao SUS. Um passo extremamente importante pra saúde pública mais integrada, moderna e centrada na saúde do paciente.
Jéssica
Setor de contratualização e regulaçãoHospital universitário
“A gente desperdiça tempo e recursos caríssimos no retrabalho, por não ter acesso às informações.”
Transcrição
Oi pessoal, me chamo Jéssica, eu respondo hoje pelo setor de contratualização e regulação de uma instituição de ensino, hospital universitário, e eu tô aqui pra falar um pouco pra vocês sobre a importância que eu considero extremamente relevante que a gente tenha uma lei no Brasil que realmente garanta que os prontuários eletrônicos eles sejam integrados, que eles conversem entre si.
A gente realmente desperdiça um tempo e recursos valorosos, caríssimos, no retrabalho, no reteste, no replanejamento das ações de serviço de saúde que envolve um plano terapêutico de um paciente, por não ter acesso às informações em todos os níveis de atenção por quais o paciente passa. Então é um projeto de lei que, ao meu ver
é extremamente relevante, que vai trazer muitos benefícios pro Sistema Único de Saúde, de forma que não importa onde o paciente esteja, a gente consiga, como equipe assistencial, ter acesso a todas as informações, que o paciente tenha passado aí ao longo da sua trajetória, durante o percurso, de atendimento em qualquer unidade de saúde
em qualquer hospital, em qualquer unidade de pronto-atendimento, de forma que o profissional seja mais efetivo, gaste menos recurso, tenha menos desperdício e a gente realmente entregue valor pro paciente sem a necessidade de retrabalhos.