Existe uma forma de economizar R$ 12 bilhões por ano e salvar vidas sem gastar um real. Ela cabe em uma lei.

Todo ano o Brasil desperdiça bilhões repetindo exames que já haviam sido feitos, e perde minutos decisivos no atendimento de um infarto. A tecnologia que corrige isso já existe e não custa nada. Me chamo Matheus Vuicik, sou de Curitiba, e transformei esse problema em uma proposta de lei.

Os R$ 12 bilhões são o desperdício anual do país com exames desnecessários, não apenas nas transferências. Fonte: EY/IESS, 2023.

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Trocou de hospital? Seu histórico ficou para trás.

A situação é a seguinte: você dá entrada na UPA com dor no peito. Faz exames, recebe medicação, tudo fica registrado no sistema. O quadro piora e a ambulância leva você para um hospital de maior complexidade. Chegando lá, o médico consegue ver o que já foi feito? Nada. Você, passando mal, vira a única fonte de informação sobre si mesmo.

1 · UPA2 · AMBULÂNCIA3 · BLOQUEIO4 · HOSPITAL

Etapa 1 · Entrada na UPA. Exame feito, tudo registrado.

Etapa 2 · Piorou. A ambulância leva você. Seus dados tentam ir junto.

Etapa 3 · O muro. O sistema do hospital fecha a porta para o dado.

Etapa 4 · Você chega sem passado. O médico começa do zero.

Na Netflix, você continua de onde parou.Na saúde, cada hospital obriga você a voltar ao episódio 1.

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Ep. 4 · 32 min restantes · de onde você parou

Sua saúde

Recomeçar do zero

Histórico indisponível. Conte tudo de novo.

Isso tem nome: transferência às cegas. E resolver sai mais barato que continuar pagando exame repetido.

Esse recomeço cobra caro. E quem paga é a gente.

Tempo

tempo é músculo.

É o que a medicina diz sobre infarto. Em AVC, tempo é cérebro. E na emergência, refazer tudo do zero joga o relógio contra o paciente.

Fonte: OMS, Relatório Global de Segurança do Paciente (2024)

Dinheiro

1 em 5

exames de laboratório é repetido sem necessidade. Só com exame desnecessário, o país gasta cerca de R$ 12 bilhões por ano.

Fontes: Abramed · EY/IESS (2023)

Segurança

+50%

dos erros de medicação acontecem na alta ou na transferência entre unidades. Justamente quando o seu histórico some.

Fonte: Rev. Latino-Am. de Enfermagem (2016), base OMS

Todo número deste site tem fonte, sempre logo ao lado. O resto da pesquisa está na página O projeto.

Tem conserto. E custa menos que o problema.

A proposta é uma lei que obriga os sistemas de saúde a conversarem entre si. Na prática, o seu prontuário chega ao hospital junto com você, sem depender da sua memória.

UPA · onde você foi atendido

ExamesAlergiasMedicaçõesDiagnóstico

Hospital · onde você chega

Hoje: o seu dado bate na parede e volta.

O caminho do dado, do jeito certo.

Na transferência, o sistema da UPA publica um resumo clínico padronizado. O hospital lê esse resumo na hora, por uma API. Ninguém imprime papel, ninguém fica pendurado no telefone.

UPAAPI · FHIRHOSPITAL

Hoje: cada sistema fala a própria língua e o dado não passa.

Com a lei: todo mundo fala a mesma língua e o dado flui.

Blocos que se encaixam

O padrão FHIR divide o prontuário em blocos de formato universal. Qualquer sistema moderno encaixa esses blocos. É o mesmo padrão que o decreto federal adotou para a RNDS.

PacientePatientExamesDiagnosticReportMedicaçõesMedicationRequestAlergiasAllergyIntolerance

Um dicionário comum

"Infarto", "IAM" e "ataque cardíaco" são o mesmo diagnóstico com três nomes. Com um dicionário comum, a máquina lê os três como um código só.

infartoIAMataque cardíaco
I21 · CID-10

"Mas isso já não existe?"

Quase. O Brasil já construiu a base. O que falta é obrigar o último elo, que é justamente onde o paciente mais se machuca.

Não falta computador. Falta os computadores conversarem.

A RNDS existe. Por que ela ainda não resolve?

A Rede Nacional de Dados em Saúde é coisa séria: desde 23 de julho de 2025, um decreto federal a tornou a plataforma oficial de interoperabilidade do SUS, no padrão HL7 FHIR. Mais de 80% dos estados e 3.805 municípios já enviam registros, e a base passa de 2,8 bilhões de documentos. O próprio ministro da Saúde resumiu na cerimônia: "dado é vida".

Agora o outro lado da moeda: a maturidade digital média dos hospitais brasileiros está em 46,19%, e 75% deles seguem sem sistemas integrados entre si. O registro nacional existe. O resumo clínico chegando em tempo real numa transferência de urgência, esse ainda depende de boa vontade. É esse elo que a lei transforma em obrigação.

Fontes: Ministério da Saúde (jul/2025) · Mapa da Transformação Digital dos Hospitais Brasileiros 2024, Folks

Os estados já se mexeram. O Paraná inclusive.

São Paulo determinou a integração dos sistemas da sua rede por portaria da Secretaria da Saúde. E aqui do lado: o Paraná já está integrado à RNDS e iniciou a federalização, com a primeira oficina estadual realizada em Curitiba, em novembro de 2025. A pauta está viva, e está viva aqui.

Fontes: Secretaria da Saúde de SP · Sesa-PR, Resolução nº 1603/2025

Por que uma lei, e não um aplicativo?

Porque computador já existe: 92% dos estabelecimentos de saúde usam sistema eletrônico e 97,6% das UBS registram no e-SUS. O problema é que padrão sem obrigação vira recomendação, e recomendação não integra sistema de hospital. A lei dá prazo e consequência para o que a tecnologia já sabe fazer.

Fontes: TIC Saúde 2024, CETIC · Ministério da Saúde

Mais seguro que papel numa prancheta de ambulância.

Digitalizar esse fluxo assusta, e eu entendo. Mas o padrão atual é papel andando de ambulância e telefonema sem registro. A lei coloca o dado dentro da LGPD, com regra e com rastro.

  • Minimização: só viaja o essencial para o seu atendimento.
  • Finalidade assistencial: o dado serve para tratar você, e nada além disso.
  • Controle de acesso: apenas quem está cuidando do seu caso.
  • Trilha de auditoria: todo acesso fica registrado, com nome e hora.

Trilha de auditoria

  • Dra. Ana L. · HC visualizou alergias
  • Enf. Carlos M. · HC visualizou medicações
  • Sistema UPA Central publicou resumo clínico
  • Dr. João P. · UPA autorizou transferência

Ilustração provisória. Troque por uma foto real quando tiver.

Ninguém deveria recontar a própria história num momento em que mal consegue falar.

Assine o manifesto.

O caminho técnico está pronto. O que falta é virar obrigação, e obrigação nasce de pressão pública. Assine abaixo para somar seu nome a essa proposta. Quanto mais gente, mais difícil de ignorar.

A coleta de assinaturas entra no ar assim que o back-end for configurado.

matheuseduardovuicik@gmail.com